
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) organizaram o evento de lançamento oficial das ferramentas educativas da iniciativa GRACE — Recurso Global para a Educação e Empoderamento dos Jovens na área do combate à corrupção — em língua portuguesa, no dia 29 de junho de 2026, no auditório da sede da CPLP.
Na sessão de abertura, o Presidente da República Democrática de Timor-Leste, Presidente em exercício da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP e Prémio Nobel da Paz (1996), José Ramos-Horta, afirmou que estas ferramentas reforçam a cooperação internacional e o papel da educação na construção de sociedades mais justas, transparentes e resilientes. Constituem um importante passo na democratização do conhecimento e no acesso a ferramentas que promovem a formação de cidadãos conscientes, críticos e comprometidos com a integridade pública.
Enaltecendo o papel da CPLP como espaço de cooperação, de partilha de valores e de promoção da língua portuguesa como veículo de conhecimento, educação e cidadania global, José Ramos-Horte salientou ainda que a corrupção continua a ser um dos principais obstáculos ao desenvolvimento sustentável, à confiança nas instituições e à concretização dos direitos humanos, defendendo que a Iniciativa GRACE é estratégica por colocar a educação e a formação ética das novas gerações no centro da prevenção da corrupção.

A Secretária Executiva da CPLP, Embaixadora Maria de Fátima Jardim, iniciou a sua intervenção destacando o compromisso comum com a paz, a justiça, instituições eficazes e uma educação de qualidade.
A Embaixadora Maria de Fátima Jardim salientou que a cooperação entre a CPLP e o UNODC tem-se fortalecido ao longo dos anos, especialmente nas áreas da educação, juventude e promoção da integridade. Destacou, também, a importância da língua portuguesa como instrumento de partilha de conhecimento e de cooperação entre os países da CPLP, enfatizando que a educação para a ética, a cidadania e a integridade é um investimento essencial para formar gerações comprometidas com o progresso, promovendo cidadãos conscientes, participativos e responsáveis.
A Chefe da Secção de Corrupção e Crime Económico e Responsável pela Divisão de Assuntos de Tratados do UNODC, Brigitte Strobel-Shaw, realçou que este lançamento só foi possível devido ao compromisso conjunto entre a CPLP e o UNODC. Sublinhou que, a corrupção continua a causar enormes prejuízos económicos e sociais, enfraquecendo as instituições, comprometendo o desenvolvimento e reduzindo a confiança dos cidadãos. Por isso, defendeu que a prevenção da corrupção exige uma abordagem que envolva toda a sociedade, começando desde cedo, através da educação.
Brigitte Strobel-Shaw assinalou, também, que os jovens dos países de língua portuguesa representam uma poderosa força de mudança e que investir na sua formação ética significa construir sociedades mais transparentes, responsáveis e resilientes, considerando que esta iniciativa vai muito além de uma simples tradução, tratando-se de uma oportunidade para milhões de estudantes, professores e instituições dos países da CPLP acederem a recursos adaptados à sua língua e realidade.
Após a sessão de abertura, o evento contou com duas mesas-redondas dedicadas à promoção da educação para a integridade e à prevenção da corrupção nos diferentes níveis de ensino.
A primeira mesa-redonda, subordinada ao tema “Educação para a cidadania, a integridade e a ética para crianças e jovens”, centrou-se no papel do ensino primário e secundário na formação de cidadãos conscientes, éticos e responsáveis. Os intervenientes no painel partilharam experiências e boas práticas sobre a integração da educação para a cidadania e para a integridade nos sistemas educativos, destacando a importância de iniciar, desde cedo, a sensibilização das crianças e dos jovens para valores como a ética, a transparência e a responsabilidade cívica.
A segunda mesa-redonda, dedicada ao tema “Ensino Superior e Empoderamento dos Jovens – O envolvimento da academia em iniciativas anticorrupção: da teoria à prática”, abordou o contributo das instituições de ensino superior para a promoção da integridade e da boa governação. Os participantes refletiram sobre o papel da academia na investigação, formação e desenvolvimento de iniciativas que aproximem o conhecimento científico da ação prática, reforçando o envolvimento dos jovens na prevenção da corrupção e na construção de sociedades mais transparentes, participativas e resilientes.
No encerramento da sessão, o presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção de Portugal (MENAC), José Morais Lopes, evidenciou que a escola desempenha um papel essencial na promoção dos valores da integridade, da transparência, da ética e da responsabilidade, sendo um espaço privilegiado para formar cidadãos conscientes e comprometidos com o interesse público. Defendeu, igualmente, que a educação para a integridade não deve ser uma matéria acessória, mas uma componente permanente da educação para a cidadania, integrada nas aprendizagens e na vivência escolar.
A Coordenadora da Iniciativa GRACE do UNODC, Bianca Kopp, salientou que a integridade não é um conceito abstrato, mas um valor que pode ser aprendido e praticado desde a infância, quando ligado às experiências do quotidiano nas escolas, universidades, famílias e comunidades. Bianca Kopp considerou, ainda, que as intervenções demonstraram que a educação para a integridade deve ser prática, participativa e adaptada às realidades locais, promovendo valores como a honestidade, a justiça, a responsabilidade e o respeito.
Dirigidas ao ensino primário, secundário, superior e à educação não formal, as ferramentas educativas da iniciativa GRACE apoiam educadores, instituições e jovens na promoção da ética, da integridade, da transparência e do Estado de Direito.
O evento contou com a presença especial de um dos Zorbs (signal), que viajou da sede do UNODC em Viena. Os Zorbs são personagens educativas do UNODC que ensinam às crianças valores como a integridade, a justiça, o respeito, a inclusão e a importância de fazer o que é certo. A versão em língua portuguesa foi desenvolvida com vozes de vários países da CPLP, permitindo às crianças identificarem-se com as histórias.